O mundo mudou bastante neste século e, com ele, a família. Qual o conceito de família no mundo contemporâneo? Você saberia explicar, por exemplo, qual o grau de parentesco da nova mulher do da de seu aluno com a criança? Se você pensou madrasta, errou! É correto usar a palavra madrasta quando a mãe da criança é falecida. Já consegue se lembrar de algum termo para denominar esse grau de parentesco? Não tente... Ele não existe! A família mudou, tanto, tanto, que a Lingua Portuguesa não acompanhou essas mudanças. Na Língua Inglesa, encontramos os termos stepmother, stepfatherm mas na lingua Portuguesa, eles não existem. Diante de tantas alterações, a educação não poderia deixar de receber as influências dessa importante instituição social que é a família.
Revisitando a nossa sociedade, vamos encontrar diferentes modelos de família: avós que exercem sozinhas a função de mãe, pais desempregados desempenhando papéis maternos enquanto suas esposas trabalham e sustentam a família e , ainda mulheres que desempenham sozinhas a tarefa de mantar uma casa e educar os filhos. Curiosamente, essas modificações na família estão presentes em todas as classes sociais, e , de uma forma ou de outra, tais interferências vão surgir no contexto da escola.
É na família que a criança tem contato com as primeiras aprendizagens, as denominadas proto-aprendizagens. para Jorge Visca, é nesse berço que ela também construirá seus valores.
Desde o ingresso da criança na escola, é necessário que a família "autorize" a ida de seu filho para esse novo espaço, caso contrário, a criança terá dificuldades de adaptação desde a sua entrada. É comum assistirmos a cenas no portão de escolas de Educação Infantil de choros, birras, por parte de crianças muito pequenas, e, quando as crianças entram na escola, sem ao menos olhar para trás, são os pais que choram no portão. Sentem-se abandonados pelos filhos e enciumados quando estes começam a demonstrar carinho por seus professores. Muitas vezes, esses sentimentos não estão no plano de nossa consciência, mas eles surgem nas relações e são demonstrados em algumas atitudes.
A participação dos pais na vida escolar dos filhos é fundamental para a aprendizagem, e participar não significa estar todos os dias na escola ou ensinar o dever de casa. Pais analfabetos podem participar da vida escolar dos filhos organizando formas para que lele tenham momentos de estudos diários em casa e conversando sobre a sua dificuldade com os professores.
A importância que cada família dá a escola e ao ato de estudar também influenciará bastante no comportamento das crianças frente ao estudo. Uma família pode desejar que seu filho se recupere de uma nota baixa, mas decide viajar nas vésperas das provas da criança, alegando que ela pode levar os livros para estudar durante a viagem. Sem querer, esta família está dizendo ao seus filho que existem coisas muito mais importantes que a escola, e pior, que estudar pode ser feito de qualquer forma, em qualquer lugar. Sabemos que não deve ser assim, pois o ato de estudar, por ser uma atividade artificial, inventada pelo homem, exige esforço pessoal e disciplina para se transformar verdadeiramente em hábito.
Uma criança também pode desejar não aprender ( de maneira inconsciente, é claro), para continuar fazendo parte de sua família. Ou seja, vamos imaginar que esta criança possui pais e irmãos mais velhor analfabetos e ela, somente ela, teve a oportunidade de ir à escola. Essa criança pode decidir nao aprender por fidelidade à família, pois, se aprender, ficará tão diferente de seu grupo que deixará de pertencer a ele. Assim, opta-se pelo fracasso. Curioso, não? Mas esse fato é bem mais frequente do que se imagina no ambiente escolar.
Seja qual for o problema, ficaríamos durante muito tempo, listando todos eles. É certo que nem a escola nem a família podem prescindir uma da outra. Ambas são co-autoras no processo de aprendizagem das crianças e jovens e possuem papéis muito específicos.
Ter a família como parceira do processo educativo de nossos alunos facilita o trabalho da escola e amplia a capacidade de participação dos pais na vida escolar dos filhos. Muitos pais se queixam que são chamados apenas para ajudar a resolver problemas e dificilmente para receber elogios, e todos nós sabemos o poder reforçador do elogio.
Então vale a pena experimentar. A criança sente grande prazer em ampliar os seus vínculos com a escola quando percebe que seus pais são valorizados pelo contexto escolar. uma boa sugestão para isso é convidar os pais valorizados pelo contexto escolar.Algumas escolas têm desenvolvido uma atividade denominada "escola de pais". Trata-se de um encontro semanal para conversar sobre temas inerentes à educação dos filhos. Educar um filho é uma das tarefas mais difíceis, pois os pais aprendem no processo , no decorrer do desenvolvimento dos filhos e o encontro com outros pais que estejam vivenciando a mesma situação pode ajudar os componentes do grupo a encontrar soluções para diversos problemas , além de reconhecer que existem muitos pais na mesma condição de dúvida, de conflito, etc.






